quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Lágrimas de Outono em Folhas de Rosa

Invariavelmente não somos insensíveis aos pequenos nadas que nos rodeiam. Depois de um aguaceiro, as superfícies molhadas proporcionam belos momentos fotográficos...
Liberta-se o espírito e dialoga-se com os sentires, com afectos, com memórias que em ápice nos surgem do nada...
As fotografias captadas, as emoções vividas... as palavras dum poema, rodopiam em volta, num todo coerente. Estas lágrimas de Outono seduziram as recordações eternizadas por letras e mais letras de Florbela Espanca, formando palavras envoltas numa herança emotiva, vividas como que em segredo, e mantidas na alma da gente...
Lágrimas de Outono (30 de Novembro de 2008)
Folhas de Rosa
Todas as prendas que me deste, um dia, Guardei-as, meu encanto, quase a medo, E quando a noite espreita o pôr-do-sol, Eu vou falar com elas em segredo ... E falo-lhes d'amores e de ilusões, Choro e rio com elas, mansamente... Pouco a pouco o perfume do outrora Flutua em volta delas, docemente... Pelo copinho de cristal e prata Bebo uma saudade estranha e vaga, Uma saudade imensa e infinita Que, triste, me deslumbra e m'embriaga O espelho de prata cinzelada, A doce oferta que eu amava tanto, Que reflectia outrora tantos risos, E agora reflecte apenas pranto, E o colar de pedras preciosas, De lágrimas e estrelas constelado, Resumem em seus brilhos o que tenho De vago e de feliz no meu passado... Mas de todas as prendas, a mais rara, Aquela que mals fala à fantasia, São as folhas daquela rosa branca Que a meus pés desfolhaste, aquele dia... Florbela Espanca, Poesia Completa, Bertrand Editora, 2005
Gotas de nostalgia (30 de Novembro de 2008)
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